finalmente um jornal não perecível
O RUMINANTE --- ÍNDICE:
O REINO DO SAL MARINHO X O IMPÉRIO DO SAL REFINADO
DIVÃ, FORNO E FOGÃO
A REVOLUÇÃO DOS BICHOS DO MAR
A GASTRONOMIA E A MORTE

____________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________

OPERAÇÃO TEMPESTADE NAS SALINAS

O site de um restaurante não é o local apropriado para polemizar, certo? Entrar em teorias conspiratórias do gênero: "Brasil entregou a copa pra França" "Tancredo foi assassinado!", Eram os deuses astronautas?" ...etc. Mas, aqui, faremos uma exceção, correndo o risco de admitir que existe, afinal, o Bem e o Mal, o Certo e o Errado... coisas tão antigas quanto a palavra "maniqueísmo" ...aaaargh. Depois de ler a exposição do blog jornal Nutriforma e ter contato com a tese de Jacques de Langre, Big Ocean Multinational Business Organization, achamos por bem que o cliente do Cruzeiro do Pescador reflita sobre o sal com que lhe batizam a comida.

O REINO DO SAL MARINHO X O IMPÉRIO DO SAL REFINADO
- A Guerra santa que não sai dos Jornais

O Começo dos Tempos: No início era o sal (marinho) não havia outro. Habitante do mar absoluto, com seu precioso dote de cloreto de sódio.

Homem (ou Mulher) sem sal: Pessoas insípidas, sem graça...? Não em outras eras. Quando o ser humano tirava os alimentos dos eu ambiente natural e o necessário sódio vinha de carona. Naqueles tempos não havia o "stress", que leva à perda dos sais naturais ou neuroses e psicoses, que resultam em perda de sais de zinco.

Mais "recentemente" ...reparem as aspas: você que já sabe muito bem o que a palavra Salário vem de sal ...e talvez por isso se dissolva tão rapido. / Devidos a preços, que se tornam salgados. / Salafrário nada tem á ver (será?) com sal. Junte mais estas úteis pitadas para um dia de conversa insosas.

CHINA, 110 AC.; o imperador Han Wu Di decretou que no seu "Pedaço" não tinha sal pra mais ninguém. Quem metesse a colher no sal chinês era pirata e... crau!

INDIA, 1930; Mahatma Gandhi pôs o governo imperial britânico em salmoura provendo a marcha do sal contra o imposto sobre o dito. Arrastou milhares de pessoas para recolher o sal direto do mar (marinho, é claro)

Que Sal Sou Eu?
Sua alteza O Sal Marinho é um rei, Talvez o único que já tenha merecido o direito divino. Sua rainha é "A Flor do Sal"...depois falaremos desta majestade.
Um sal 100% (NaCl) apresenta:
                40% de Sódio: age no equilibrio de água no corpo, entrada de substância das células e transmissão de impulsos nervosos.
                60% de Cloro: ativador de enzimas, fundamental na digestão e ajuda o sangue a levar gás carbônico para os pulmões.

Em seu estado soberano ele emerge por evaporação de água do mar, é usado na cozinha e em produtos cosméticos. Deve apenas passar pela primeira fase de lavagem, que não lhe retira os elementos presos entre os cristais. Contém cerca de 84 elementos valiosos para o organismo, que, no entanto...

Do desmanche do sal marinho, surge um Frankenstein chamado:

O $AL REFINADO

Eliminados durante o refino ou extraídos para comercialização lá se vão o enxofre, bromo, magnésio, cálcio, componentes da vida marinha como Krill (camarãzinho invisível, único alimento das baleias) plâncton e esqueletos microscópicos de animais marinhos que contém zinco, cobre, molibdênio, etc.

POR QUÊ?
...a pergunta calada.

Ora, porque o sal, in natura, está carregadinho de fontes de lucro. Grupo econômicos com força para controlar governos e manipular profissionais da áera de saúde (até da Imprensa, como já ocorreu no Brasil), assumem a Cruzada pelo "beneficiamento" do sal. Ao introduzirem o iodeto de potássio em lugar do iodo natural "Eles" conseguem um fantástico mercado comprador. A lógica da compensação do sal desnudado prossegue; entram vários aditivos químicos (2% deles perigosos) como óxido de cálcio (cal de parede|) para evitar o empedramento, ferrocianato e prussianato amarelo de sódio, fosfato tricálcico de alumínio, silicato de aluminio e sódio.. e dane-lhe alvejantes e antiumectantes até virar aquele salzinho branco, brilhante, soltinho, do jeito que a dona-de-casa gosta.

Já está hipertenso? Então corte já esta conversa porque o SALICÍDIO continua

Este sal em desiquilíbrio leva a hipertensão arterial (o hipertenso, dependendo do seu quadro, pode até usar um sal marinho na sua alimentação graças ao baixo teor de sódio), edemas, eclampsia, arteriosclerose cerebral, cálculos renais/visicais/biliareshipoplasia de tireóide, nódulos da tireóide, disfunções das paratireóides.


AH, ...E TEM TAMBÉM O TAL DO SABOR

Uma pedrinha de sal marinho, por seu conteúdo mineral é até agradável ao paladar, enquanto o refinado, mais concentrado, não é... lembra como você chorou no seu batismo?


Vinheta: “Traidores terão os bens confiscados e as terras salgadas até a última geração (Éééé... antigamente era assim”.

SUA MAJESTADE "A FLOR DO SAL" ...perante quem todos parecemos desenxabidos

Ah, "doce" rainha. Rara oferenda da natureza. Benfazeja conspiração do mar, do sol e do vento. Véu estendido sobre as salinas, sensual perfume roubado às violetas. Sobre ela não há (ainda) mão espúria do homem. Vale ainda a sabedoria dos Celtas (sem dúvida abençoada por Druidas)... que a recolhiam com ancinhos sagrados do topo dos montes. Eram da tribo de Asterix - os peludiers - da região de Guérande. Venerada à milênios, ...devotos são todos os chefes de cozinha e gourmets (verdadeiros) do mundo, até hoje. Na costa Atlântica do Algarve também ocorre esta bênção. Se você é prático e objetivo... (materialista? ...) imagine que são necessários 80 kg de sal marinho bruto para viabilizar 1 Kg de valorizadíssimos (caros mesmo) cristais "Flor" da qual todos gostaríamos de ser jardineiros. Não, O Cruzeiro do Pescador ainda não foi honrado com esta Augusta presença... mas sabe como consegui-la aqui mesmo em Terra Brazilis... questão de "tempo". Se tiver perguntas, fale conosco.

Fontes:
www.ocelimao.com.br
www.mundovirtual.com/fisica/osal.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/sal-marinho
www.2.uol.com.br/gula/reportagem/137ourobranco.shtml

____________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ ÍNDICE:

DIVÃ, FORNO E FOGÃO

Se você estiver lendo ou pretende, o “Quando Nietzche chorou” (do psicoterapeuta Irvin Yalom) interrompa já a marcha dos seus olhos por estas destemperadas linhas. Pode comprometer a degustação do livro, logo no final. Bem... eu avisei. Numa certa altura da estória, o Dr. Josef Breuer, sob o efeito de um estado hipnótico desencadeado por seu amigo Sigmund Freud, se vê largando tudo na vida: carreira profissional, família e posição social. A primeira coisa que lhe ocorre é trabalhar num restaurante... “Não apenas para gerenciar e controlar o caixa: queria tocar na comida... prepara-la, servi-la”. Isso em Viena no fim do século XIX, mais podia ser hoje. Afinal, Breuer certamente tem ingredientes do alter-ego de Yalom. É um caso reincidente entre profissionais em crise de diferentes áreas, sejam psiqui/...atras, ólogos, engenheiros (1), arquitetos (2), publicitários, como este que vos escreve (3). Breuer em Veneza, outros neste Nordeste. Talvez porque um restaurante seja uma espécie de forma alternativa de praticar quase todas as atividades que existem. Um psiquiatra que vire um “restauranteur”, por exemplo, não teria grandes dificuldades em converter suas mesas num genérico de divã. Empécie de análise à luz de velas, “mise em place” do inconsciente.
“Você é o que você come” é o titulo de um desses inúmeros programas de gastronomia da TV. Ampliando a análise poderíamos acrescentar: “como...”; “quando...”. “onde...” e, é claro, “com quem...” Uma conversa durante um lauto repasto entre Sigmund e sua ninfreudmaníaca cliente, tiete e discípula Maria Bonaparte, poderia revelar percepções muito mais deliciosas do que aquelas ingeridas no soturno consultório do Mestre. Com a lucidez política de Maria naquela Áustria às portas da II Guerra ela poderia ter dito ao “Pai”, erguendo a sua taça de vinho branco: “Dr. Por favor sirva-me desse maravilhoso Gewurstraminer antes que a Alemanha anexe a Alsácia outra vez”. Naquela época toda a Alemanha era Reichiana, não de Wilhelm, mas do 3º Reich, bem entendido. Talvez, mais do que o sexo, a gastronomia pode prover a psicanálise, com a vantagem de não ter que aprisionar tanto material no inconsciente. Nem a lei, nem a sociedade reprimem a devassidão de faca e garfo. A promiscuidade ganhou um nome sofisticado mais recentemente no reino de Bocuse: “fusion Kitchen”. Não existe pecado no lado de baixo (em cima, atrás, na frente...) das carnes, peixes, frutos do mar e doces manjares, por mais escandalosos que possam posar na página do meio da revista Gula. O inverso já é diferente. Qualquer sinal de aversão a uma ostra aberta, polvo ou lulas de perninhas abertas, vísceras explícitas pode dar a impressão de frigidez ou assexualidade. O estouro de um Don Perignon pode relevar mais sobre “A Função do Orgasmo” do que o livro Reich. Um chefe psicologicamente dotado percebe quando o cliente mente. Uma magrinha(o) que pede um prato semelhante ao turbante de Carmen Miranda mas, complexada, não vai além da 2ª garfada. Ou a gordinha(o) que se reprime diante de uma salada... sem deixar de passar 2 pãezinhos no azeite reforçado. A categoria do comensal também pode apresentar desvios de personalidade. Alguém pode devorar selvagemente um “Lapin à la Moutarde”, enquanto outro é capaz de degustar com requinte uma buchada. Aquele pode emborcar num só gole um Chateau Petrus ao mesmo tempo que outro degusta solenemente a sua loira geladinha. Cultura também tempera a rotina dos analistas. Um especialista do cérebro humano, ouvindo o seu paciente chinês relatar o seu repasto da noite anterior: miolos de macaquinho vivos, ...muito provavelmente irá, como qualquer nécio cérebro ocidental, regurgitar todo o seu bacon com ovos do café da manhã (ou cuscuz, dependendo da referência cultural). O narcisismo pode aparecer numa análise à mesa, quando o gourmet ingere apenas aquilo que tem a sua cara. Imaginem, por exemplo, um Geraldo Alckmim saboreando como sobremesa uma banana flambada com sorvete de chuchu... perfeitamente autofágico. Recentemente o Dr.Jorge Boucinhas num artigo de jornal intitulado “A Psicologia do Intestino Grosso”, levou a relação entre esta área da medicina e a gastronomia às raias do descomer. Ele descreve os entranhamentos do peristalmismo colônico: ansiedade, aborrecimento, apreensão e mau humor podem reduzir o trânsito nos intestinos. Ele descreve com fluência o cólon “amedrontado”; o cólon “preocupado”; o cólon “irritadiço” ...que se fecha com uma ostra, Não é a toa que a biologia foi buscar na gastronomia o sugestivo termo de bolo fecal. Um prato cheio para freudi/jungui/reichi/lacani... anos. Nunca li “O Livro dos Sonhos” mas acho que posso fechar os olhos e visualizar a magnífica ponte entre a Psicologia e a Gastronomia. Num extremo, a cozinha: alquimia dos sentidos. No outro as mesas: laboratório das almas. Delírio da “Pseudologia”? Sendo assim, peço licença para parodiar canhestramente I. Yalom e conceber um “Quando Nietszche Não Tinha Mais Por Onde Chorar”. No “meu livro”, ele seria dono de um restaurante há 10 anos, tendo concebido a sua tese do “Eterno Retorno” durante uma operação maratona de lavagem de louça madrugada à dentro. Em crise, pede desesperado ao seu parceiro de infortúnio, Dr. Breuer, que lhe consiga urgente uma sessão como o amigo Dr. Freud, ou vai largar tudo, sair correndo... ou coisa pior. Porque? APARRECE NA MEU RRESTAURRANTE QUE EU EXPLICA!!! (4)


(1) Em São Paulo houve em café na Av. Paulista chamado “O Engenheiro que Virou Suco”.

(2) Em Natal há um arquiteto que concilia a sua atividade com prosaica criação de porcos, fornecendo para os melhores restaurantes.

(3) Ex-redator de publicidade (em São Paulo e Portugal) que abriu um restaurante na Praia da Pipa, há 10 anos: “O Cruzeiro do Pescador”.

(4) Botei só um pouquinho de sotaque germânico, para dar um toque freudiano.

____________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ ÍNDICE:

Vinho e Gastronomia
‘A REVOLUÇÃO DOS BICHOS DO MAR’

Dizem as sagradas escrituras: carnes vermelhas e assadas devem coabitar com o vinho tinto. Carnes brancas e peixe , com vinhos brancos.

Por direito canônico todos os filhos gastronômicos dos mares,rios e mangues são rebanhos do vinho branco. Mas cada vez mais gourmets,hoje em dia, encaram esta verdade com olhinhos Luteranos. A imensa nação dos frutos do mar parece aguardar um líder de porte bíblico que a conduza à sagrada pátria do vinho tinto. Uma espécie de enxerto entre Moisés e Robert Parker, que abra este outro mar vermelho para os eleitos de Netuno com seu garfo em punho.Em procissão,escoltados por taças tintas de rubi,granada ou púrpura,.. archotes de Riedel*, seguiriam todo os peixes,camarões,ostras, raias,polvos,lulas e caranguejos. Seria um milagre que nenhum enólogo teve, até agora, o poder de profetizar, temente aos faraós da Mídia com suas(pra lá de ...) 7 pragas.Tudo indica que a perseguida população de pescados continuará vagando suas escamas, cascas e tentáculos pelo deserto dos vinhos despigmentados.Os l0 (ou,provavelmente, mais) mandamentos que estabelecem a relação entre o vinho e a comida cobram obediência, sem dúvida por razões mais religiosas que científicas. Só que as criaturas do mar são libidinosos por natureza, afrodisiacamente potencializados e anseiam libertar-se dessa gaiola dourada-Tokaji**. Os vinhos brancos parecem menos...digamos, baquianos. Os chardonnays, sauvignon blanc, semillon, etc,...são muito púdicos, com seus corpos diáfanos, esquivos em suas fragrâncias florais ou frutadas.No máximo, graças a um Don Perignon ou Veuve Clicquot, conseguem expor o seu o perlage e provocar cosquinhas no nariz...uma espécie de sexo-nasal. Confinados em seus casamentos arranjados,firmados antes mesmo que os consortes tivessem tido um cacho,as delícias do mar são obrigadas a se entregar sobre imaculadas toalhas à grande dinastia dos vinhos albinos. Em meio a sublimados banquetes banhados a vinhos cor de palha, quantos olhares de peixe cosido voltaram-se sonhadores para Merlots e Cabernet Sauvignon sarados, com o oficial Chablis bem ao lado. Quantos polvos dilataram ventosas em anseios por Periquitas(ou Castelão Francês) em presença do legítimo Alvarinho.Ou mesmo ostras se desvirginaram aspirando a juventude de Beaujolais sem que o Fernão Pires desconfiasse. E as arraias? Castradas de seus ferrões, gamadas por Gamays, em plena relação com o Gewurstraminer. A todos estes, no máximo, foram concedidos alguns momentos libertinos com um andrógino rose, um Mateus da vida. Inveja sentem do bacalhau, um raro caso de peixe (alguns portugueses
chegam a por em causa o fato do bacalhau ser peixe) a que é concedido intercurso gastronômico com tintos.Más línguas já dizem até que Barca Velhas e Pêra Mancas não são chegadas em alho.Onde estará o grande comandante com porte de Charlton Heston e finesse de Renato Machado(num corte com Troigrois) capaz de transformar o cajado*** numa saborosa enguia(servida de preferência com elegante Shiraz). Os valores do casamento entre os frutos do mar e o vinho estão em crise.Nem tudo que parece compatível leva ao êxtase. Já que tudo é efêmero façamos como Khayyam, bebamos até a transcendência. Apóstolos de Dionísio, de Sade e Anthony Bourdin, ...de Sacher-Masoch à Jimmy Oliver, dêem ao tinto o que é do mar e ao mar ao que é do vinho tinto. Os brancos que desculpem, mas em orgias de frutos do mar a cor de sangue é fundamental. Mas sem sacrilégios consangüíneos. Nada de suruba entre garrafas, atirar pedras de gelo em vinho ...nem que seja branco. Desenvolva e refine o seu gosto e beba dele, com toda a liberdade ,assim nunca cometerás heresias sobre este lagar**** de pecadores.

* Riedel, e famoso fabricante de cristais.
** Tokaji, vinho generoso(adocicado) cor de ouro
*** Quando o cajado vira serpente...leia a Bíblia ou,pelo menos, assista a “Os l0 Mandamentos”.
**** Puxa...esta você devia saber. Lagar é o lugar onde se esmagavam as uvas(poucos ainda o fazem,como o lendário “Mouchão”português).Aqui temos uma metáfora de gosto duvidoso: Lagar= Terra/Humanidade.

____________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ ÍNDICE:

A GASTRONOMIA E A MORTE

Não é preciso lançar mão de metáforas para vislumbrarmos os reflexos da vida e da morte na porcelana onde comemos.(Se não conseguir, tente os talheres.)O ciclo que vai do berço ao túmulo é cúmplice do outro, parido no fogão e exequializado na pia. Analogia possível,talvez, só na Arte, nos jogos e no sexo. O começo,meio e fim está em tudo, mas o nosso perecível alimento abusa de sua intimidade com o dia a dia. O que se sente após uma refeição pouco frugal, quando todo o nosso palato já rendeu graças ao Criador, é quase um expirar. Dobramos como os sinos. Quem assistiu ao filme “Comilança” de Marco Ferreri, viu essa imagem de forma mais berrante.Era um verdadeiro suicídio coletivo à mesa. Em “O Recruta Benjamim”, a viúva Goldie Hown ouve da inconsolável sogra a pergunta: “Quais foram a suas últimas palavras?” Resposta: “Estou gozando!”. Morte por congestão é o mais provável. Já no quase religioso clássico do cinema e da gastronomia “A Festa de Babete” o comer chega a um nível sublime de espiritualidade.Pessoas da 3ª. idade diante de um banquete ritual são levados a uma percepção profunda da existência e superam as misérias de seu estreito convívio.A morte paira implícita e eloqüente sobre a cena.Desde as civilizações mais remotas a gastronomia tem servido mesmo de atalho para a morte.Quantos poderosos glutões viviam sob o imperial terror de que lhe envenenassem a comida? Acabava sempre sobrando para um incauto no bacanal servir de cobaia. Involutariamente a coisa acontece também...falemos baixo, até em restaurantes e casas do gênero.Pantagruel nos livre. Quando um homem pré-histórico foi encontrado nas fronteiras geladas entre Itália e Áustria um tempo atrás, em perfeito estado de conservação(e não havia prazo de validade na época) quiseram logo descobrir qual foi a sua última refeição. Foi a chamada Fome ABAIXO de Zero.De tudo que se falou da morte de Lady Diane não faltou quem destacasse o seu repasto réquiem: um inesquecível linguado grelhado precedido de cogumelos e aspargos à mesa do Hotel Ritz, em Paris. O marqueteiro dono da charmosa cantina paulista “Famiglia Mancini” captou todos os créditos do jantar final de Dias Gomes. O grande escritor faleceu num acidente refastelado das célebres entradas italianas da casa. Mas também existe o renascimento nesse arrumadinho de gastronomia e morte. Não são poucos os casos de enlutados que, após digerirem o doloroso cerimonial fúnebre, se vêem possuídos por uma pulsante larica. Os portugueses,com seu humor marinado em fado, têm uma expressão popular, quando a coisa não ata nem desata:”Nem o pai morre nem a gente almoça”. E afinal,...é importante que medites sobre isto, leitor deste “O RUMINANTE”: após finada refeição, que mensagem há no prato à tua frente onde jazem ossos e espinhas ao lado de uma faca e um garfo cruzados? Preste atenção quando da tua própria boca saltar, involuntária e mediúnica, a velha profecia: “Um dia a terra há de comer”. Bom epitáfio!

back
O RESTAURANTE - O CARDÁPIO - GASTRONOTECA -
META A COLHER - PIPA - COMENTÁRIOS
DIÁRIO DE BORDO
- O RUMINANTE - COMO CHEGAR
www.cruzeirodopecador.com.br - cruzeiropescador@uol.com.br
Chapadão - Praia da Pipa – Tibau do Sul - RN - Brasil